Um pouco de ciência

Olha nós aqui de novo, mano! Vamos relacionar o Iluminismo com um pouco de Ciência e Tecnologia, não a de hoje, a que você conhece, mas, inovações que surgiram e foram utilizadas lá pelo século XVIII. Primeiro, vamos viajar um pouco ao fim do século XVII, início do século XVIII e ver como eram certas paradas.

A eletricidade, ainda estava se desenvolvendo, de forma que a iluminação normalmente era feita por meio de tochas e velas. A Física e, por consequência, a Astronomia engatinhavam com a ideia de que era o Sol o centro do universo (veja que não era centro do Sistema Solar), sendo o poder da Igreja soberano para decidir qualquer dúvida. A Química procurava se desgrudar das ideias alquimistas tais como a transmutação de outros metais em ouro. A Medicina, resultante de pesquisas, só tinha acesso os nobres e ricos, sobrando para o povo o secularmente praticado curandeirismo.         

Sobre os aspectos sociais, de um modo geral, o homem trabalhava 15 horas por dia sem direitos como férias e décimo terceiro, se adoecesse e não trabalhasse, não ganhava. A mão de obra infantil era total exploração e o trabalho das mulheres, quando pago, valia menos, ou seja, as condições de trabalho eram sub-humanas, sem acesso à água potável e até mesmo a banheiro. Vamos ver algumas melhorias científicas e tecnológicas decorrentes do movimento Iluminista do século XVIII.

Em 1708, Jethro Tull, inglês, advogado e Engenheiro Agrônomo, inventa uma máquina de semear grãos, puxada a cavalo. Imagine o salto dado pela Agricultura, antes artesanal. Já em 1709, Abraham Darby, inglês, agricultor e serralheiro de profissão, desenvolve um método que barateia a produção de ferro, com uso do coque (carvão purificado). Em 1733, John Kay, inglês, inventa uma lançadeira que faz com que o tear, antes produzindo tecidos apenas com a largura dos braços do tecelão que o manipulava, pudesse produzir peças bem mais largas. Isto, dentre outros fatos, acarreta numa produção maior e consequente falta de fios. Em 1764, James Hargreaves, inglês, cria uma máquina que aumenta a produção de fios e faz com que o tecelão possa fiar vários fios ao mesmo tempo. Essas invenções trazem o desemprego para o tecelão, mas o progresso tem seu preço.

Em 1763, James Watt, Matemático e Engenheiro Escocês, recebe uma máquina a vapor para consertá-la, ele não só o faz, como aperfeiçoa de tal modo que ela passa a ser 75% mais produtiva, sendo considerado hoje o inventor da máquina a vapor, que passa a ser usada para retirar água das minas de carvão, na invenção das locomotivas, tornando o mundo mais rápido, já que uma carruagem se deslocava a 12 km/h, enquanto os primeiros trens faziam um pouco mais de 45 km/h. A máquina a vapor transformou o mundo.

A Química sofre uma verdadeira revolução com Lei da Conservação das Massas e a teoria do oxigênio de combustão, de Lavoisier em 1773. Pode-se dizer que o século XVIII dá início ao nascimento da Química como Ciência, afastando-a da alquimia.

Em Medicina, Hermann Boerhaave, holandês, foi o primeiro a utilizar o termômetro para medir a temperatura de pacientes, usar a lente de aumento para examinar as fezes e publicou em 1708 um tratado de Fisiologia e em 1724, um de Química.

É no século XVIII que a Física, pode-se dizer, passa a se chamar de Física Newtoniana, pois todas as suas publicações passam a ser aclamadas pelos intelectuais da época. As três leis de Newton, mais a Lei de Atração Gravitacional, explicam o Sistema Solar, onde se podem determinar velocidades e posições futuras dos planetas. Observe ideias defendidas à época e que sabemos, hoje, ser a expressão da pura verdade, com Ciência, sem charlatanismo e sem imposições religiosas:

- O achatamento nos polos da Terra;
- As órbitas dos cometas, o cometa Halley que retorna a cada 76 anos;
- As anomalias nas órbitas de Júpiter e Saturno devido a atração gravitacional.

Valeu, galera! Tipo, fui!

 

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Alberto “Beto” Thomas

Desde pequeno, meus pais diziam: esse menino vai ser cientista. Por quê? Sempre fui nerd aficionado por todo tipo de ciência. Meu tio Isaque, professor de Ciências, sempre foi o incentivador principal. Fazíamos programas que giravam em torno de curiosidades, pesquisas e ciências em geral. Em casa, criávamos hipóteses e montávamos experiências caseiras. Também compartilhamos o mesmo pecado, junk food, e o mesmo vício, seriados e filmes de ficção científica. Com meu talento nato potencializado pelo help do meu tio, precocemente me destaquei nas mais diversas feiras e concursos científicos. Hoje curso Física em uma universidade de prestígio. Entretanto, o que gosto mesmo é de “trabalhar” em meu laboratório amador construído na garagem de casa, realizar pesquisas e publicar vídeos na internet, onde explico os “porquês” dos mais diferentes acontecimentos do cotidiano. Aqui, no Galera Cult, vou tentar despertar em vocês o prazer pela Ciência no cotidiano, apresentando os mais interessantes e importantes “porquês”.